O ULTRA-SOM QUEBRA-GORDURA
Ele promete e cumpre: reduz a cintura relativamente depressa, sem dor nem esforço. Mas tem lá seus contras, e você precisa conhecê-los antes de correr às clínicas de estética

A notícia foi saudada com entusiasmo: no ano passado, pesquisadores israelenses criaram uma técnica de lipoescultura por ultra-som para eliminar gorduras localizadas sem cirurgia e, assim como a lipoaspiração tradicional, sem a necessidade de suar a camiseta. O aparelho responsável pela proeza passou a ser encontrado oficialmente por aqui em agosto último, após o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

O segredo da nova tecnologia é o uso de ondas sonoras inaudíveis para nós, humanos que destroem o tecido adiposo sob a pele sem danificar vasos nem queimar a região. A lipo ultra-sônica, como podemos chamá-la, funciona bem para tirar alguns centímetros da cintura ou para esculpir nádegas e culotes. Na primeira sessão, já se nota a depressão provocada pelo ultra-som sinal inequívoco de que as moléculas gordurosas naquele ponto, e só nele, foram embora. Na aplicação seguinte, o especialista apontará as ondas para uma área adjacente, criando outra depressão. Até que, sessão após sessão, aplainará toda a parte tratada. Portanto, diferentemente do que muita gente fantasia, é preciso dar tempo ao tempo ninguém sai da clínica com o corpo instantaneamente remodelado. Em geral, são necessárias três sessões, com intervalo de um mês entre elas, para que o corpo dê conta da gordura dissolvida.

Há cinco meses, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acompanharam 164 pacientes e concluíram que uma sessão pode reduzir 2 centímetros do ponto tratado. Os estudos e a experiência clínica provam a eficácia da tecnologia, atesta a dermatologista Adriana Vilarinho, de São Paulo, autora de Beleza à Flor da Pele, da coleção de livros SAÚDE!, da Editora Abril.

Apesar dos bons resultados, a lipo ultra-sônica não faz milagres. O efeito é apenas estético e não há redução significativa de peso, avisa o dermatologista Nuno Osório, de São Paulo. Fique bem entendido: sem uma dieta controlada, o ultra-som é inútil. Isso porque a técnica não traz nenhum benefício para o metabolismo, o funcionamento geral do organismo, explica Ruy Lyra, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

QUAIS SÃO AS CONTRA-INDICAÇÕES
A esta altura, você já percebeu que a principal ação da nova tecnologia é quebrar as células de gordura, liberando uma enxurrada de triglicérides. Sim, essas moléculas assustadoras que, entre outros problemas, ajudam a obstruir artérias importantes fazem parte dos restos mortais da gordura localizada. Como esse método, ao contrário da lipo tradicional, não joga para fora o excesso de tecido adiposo, quem acaba tendo que se virar sozinho é o fígado, responsável por metabolizar essas gorduras que ficaram dando sopa.
Um estudo realizado por pesquisadores da Espanha e publicado em abril de 2007 mostra que não há um aumento preocupante dos triglicérides após as sessões de ultra-som. O receio é o seguinte: os espanhóis só examinaram gente com o fígado em ordem. Em pessoas que sofrem de alguma doença hepática, seja ela qual for, o uso da técnica é totalmente contra-indicado.

Outra limitação é a espessura da camada de gordura. Se ela tiver menos de 1,5 centímetro, o médico não deve fazer o procedimento. Nesses casos, o ultrasom pode ir além do tecido adiposo e provocar queimaduras, explica Nuno Osório. Além disso, é claro, gestantes e mulheres que amamentam não podem recorrer à lipo ultra-sônica, devido à falta de testes que comprovem a segurança do método nessas condições.

São riscos relativamente pequenos por isso a Anvisa e órgãos similares de outros países se sentiram confiantes para aprovar o tratamento. Mas há quem, mesmo assim, prefira cautela. Em comparação com a lipo tradicional, que tem 25 anos de testes comprovando a sua eficácia em várias situações, a lipo ultra-sônica é uma entre muitas novidades que ainda não foram avaliadas a longo prazo, relativiza Douglas Jorge, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

BICHOS "ANTENADOS"
Se nós fôssemos capazes de ouvir as freqüências ultra-sônicas que têm esse nome justamente porque são bem mais agudas do que aquelas que a nossa audição consegue captar , nossos filhos nasceriam um bocado irritados depois de tantos exames pré-natais... Mas vários animais dependem do ultra-som para sobreviver. Morcegos, baleias, golfinhos e algumas espécies de peixe, por exemplo, se valem de freqüências altíssimas para se localizar no espaço, como se usassem um sonar natural. E os cães, que têm a audição muito melhor do que a nossa, também são capazes de ouvir essa faixa sonora.

AJUDANTE SILENCIOSO
O ultra-som costuma ser um tremendo aliado dos médicos. Além do combate à gordura localizada, ele é usado para dinamitar pedras nos rins (e facilitar que elas sejam expelidas pela urina), para eliminar tártaro e outras impurezas dos dentes e auxiliar no processo de quimioterapia, fazendo com que as drogas para matar o câncer sejam absorvidas mais rapidamente pelos tecidos doentes. Sem contar que dá uma mãozinha no tratamento da catarata. Ah, claro: ele também serve para diagnosticar um monte de doenças e é indispensável no acompanhamento da gestação, para que o médico cheque o desenvolvimento do feto.

Veja a tabela de comparação entre Lipo Ultra-Sônica e Lipo Tradicional. Clique aqui.

Como funciona o UltraShape? Veja a animação explicativa clicando aqui.

Matéria de André Santoro, transcrita da revista Saúde, em fevereiro de 2008.

Design: Glenda Capdeville

Animação: FOTO Eduardo Svezia/ INFOGRÁFICO Erica Onodera, Glenda Capdeville e Giovanni Tinti / CONSULTORIA DE INFOGRÁFICO Luiz Iria / PRODUÇÃO Alesandra Ravizza / CABELO E MAQUIAGEM Roberto Fernandes / Mulata Brasil

Centro de Diagnóstico Água Verde
Rua Goiás, 83/92 • Água Verde • Curitiba PR • 41.3074-9000